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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sugestão para o carnaval: que tal um retiro de meditação Vipassana em casa?



Época de carnaval é sempre associada a farras e extravasos, o legítimo “adeus à carne” - já que na origem do termo, a data precedia os dias de jejum da quaresma. Independente do significado, eis aí um feriado auspicioso para fazer o movimento inverso: ao invés de ir para fora, já experimentou voltar-se para dentro e ver o que acontece?

A sugestão é aproveitar os dias de feriado para ampliar a consciência acerca de si mesmo, um encontro que você jamais esquecerá! Um retiro em casa é uma opção agradável para quem não tem a oportunidade de participar de um retiro oficial. E do que você precisará dispor? De muito pouco: Um espaço silencioso em que não poderá ser perturbado (se mora sozinho, sua própria casa será um lugar perfeito, ou em algum chalé de preferência perto da natureza); no máximo três refeições por dia (opte por uma alimentação mais leve e vegetariana) algumas boas almofadas para sentar-se confortavelmente, e agora o último e mais importante elemento: muita determinação e disciplina para cumprir até o fim a jornada!

Já a lista do que você não vai precisar é bem maior: dê um descanso para o computador, o celular, a televisão, inclusive para os livros ou qualquer outro artefato que possa causar distração. A ideia é realmente se desconectar da rotina, das preocupações e afazeres mundanos. Importante também lembrar que o retiro Vipassana é baseado no absoluto e completo silêncio. Vipassana significa “ver as coisas como elas realmente são” e isto significa abster-se dos diálogos externos e internos. Nesta meditação, observamos cada sensação do corpo no corpo.

Aqui o corpo é seu grande aliado, uma verdadeira âncora que o conecta ao momento presente. O corpo nunca pode estar em outro lugar que não no agora.

Para quem nunca teve intimidade com a prática de meditação Vipassana, ou nunca realizou nenhum dos retiros de 10 dias de silêncio, sugiro que utilize seu método de meditação pessoal ou a meditação de sua preferência. Não importa qual for, desde que você esteja totalmente consciente e ela possa lhe abrir para um espaço meditativo e silencioso. Se for uma meditação ativa, não esqueça de dedicar o tempo proporcional de atividade ao tempo de não-atividade (sentado em posição confortável, com a coluna bem ereta, olhos cerrados ou semi-cerrados).

Isto é muito importante de ser ressaltado, uma vez que nossa sociedade cultua freneticamente o fazer e a hiperatividade, dedicando-se pouco à simples contemplação do Ser. Por isso insisto na importância de, nesse dia, abster-se de qualquer afazer que possa distanciá-lo do agora. Esse é o maior presente que você pode se dar. Um luxo inigualável!

Os preparativos devem acontecer desde a noite anterior ao dia de retiro. Procure deixar suas refeições encaminhadas, para que não precise se preocupar com isso na hora em que for se alimentar. Dê preferência a alimentos leves, vegetarianos, orgânicos. Exclua ingredientes artificiais ou industrializados e que contenham estimulantes como a cafeína. Após os preparativos dos alimentos e do local de meditação, recolha-se cedo para dormir, entre 22h-22h30. Não esqueça de avisar com antecedência parentes e amigos para que não seja atrapalhado. Coloque o despertador para tocar e lembre-se: assim que acordar, o retiro estará valendo! 

Confira um breve roteiro para você se guiar durante seu dia de meditação: 

- 5h - 6h: hora de despertar, faça a higiene pessoal, escove os dentes, tome banho (um banho frio para ativar a circulação e ajudar a afastar o sono), coloque roupas limpas e confortáveis; 

6h30 - 7h: primeira prática do dia, deve ser feita ainda em jejum para aproveitar o máximo da serenidade do horário do dia. Sessão de 1h ou duas de 30 minutos com um breve intervalo para descanso; 

8h-10h - Desjejum e descanso. Aproveite para degustar lentamente sua primeira refeição. Comer já é uma prática completa de meditação em si! No período de descanso, saiba contemplar, cada passo, cada mínimo detalhe do local onde estiver, cada pensamento que sondar sua mente, cada respiração e cada som que escutar. Evite quaisquer distrações; 

10h30-11h - Segunda sessão da manhã. Pode ser de tempo mais reduzido. Recomendo mínimo de 30 minutos; 

11h30 - 14h 30 - Pausa para o almoço. Lembre-se de comer devagar e com plena atenção ao sabor, às cores e textura do alimento. Mastigue lentamente. Após o almoço você poderá fazer um descanso prolongado. Importante voltar à meditação somente depois de duas à três horas após o término da refeição; 

15h - 16h30 - Prática meditativa. Entre 1h e 1h30 de duração; 

17h - 18h - Pausa, seguida de jantar; 

19h- Última rodada da noite. Meditação mais longa. Dê o seu melhor! 

22h- Deite-se respeitando os votos de silêncio e durma tranquilamente. 

Ao acordar, procure permanecer ainda mais alguns instantes em silêncio e faça uma última meditação de encerramento. 

Em um retiro Vipassana a duração diária de meditação pode chega à 10 horas. A quantidade de horas aqui pode ser ajustada conforme o nível de experiência e prática pessoal de cada um. O mais importante não é exatamente a quantidade, mas a qualidade de sua entrega. O roteiro acima foi criado baseado no retiro de meditação Vipassana de 10 dias. É altamente recomendado para pessoas que já possuem alguma experiência com Vipassana ou para aqueles que possuem um estilo de vida extremamente ativo, com poucos períodos de silêncio e quietude.

Ainda assim, você mesmo pode criar seu próprio dia de retiro usando sua criatividade, disposição e vontade para fazer suas próprias regras. Afinal, você é o único que deve contas a si mesmo. Há até quem prefira realizar jejuns paralelamente ao período de meditação.

Cultive uma postura contemplativa, ancorada no presente. Tenha persistência e não dê ouvidos às vozes mentais que tentarão sabotar seu mergulho dentro de si mesmo. Muitos conflitos e pensamentos turvos poderão vir à tona e este é um bom sinal: significa que o processo de limpeza dos samskaras (impressões remanescentes que levam a padrões e condicionamentos) estão agora atuando na camada mais superficial da sua mente. 

(Grace Bender)

domingo, 2 de novembro de 2014

Aprender a se bastar. Pra quê?


Aprender a se bastar parece uma tarefa difícil para a maioria de nós. Somos todos interdependentes, mas, paradoxalmente, precisamos estar plenos e seguros de nós mesmos para o equilíbrio desta interação. O que geralmente acontece parece ser, por ironia, o contrário: agimos de modo egoísta, mas não sabemos sequer estar em paz conosco. Tudo que desejamos está imbuído com a finalidade de alimentar nossas carências. Todavia no momento de quedar sozinhos, sucumbimos em pânico - buscamos nas pessoas e objetos nossa satisfação.

Por que tememos tanto a solidão? Qual o motivo de quase sempre ser deveras sofrível e angustiante estar simplesmente consigo mesmo? Talvez nunca tenham nos ensinado a conhecer a nós próprios. E quem é esse “nós próprios”? Com o que iremos nos deparar?

Sabemos muito do mundo: aprendemos na escola que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos, descobrimos e catalogamos infindáveis espécies viventes sobre o planeta, dividimos o átomo e desenvolvemos a energia nuclear, descobrimos que a lua leva 27 dias 7 horas e 43 minutos para dar um giro completo ao redor da Terra, aprendemos formas de nos locomovermos mais rapidamente e desbravamos todos os oceanos e continentes. Somos, e com muito orgulho, animais razoavelmente bem sofisticados.

Porém o que de fato realmente sabemos sobre quem somos? Estar só, para muitos, pode ser um árduo exercício e requer a virtude da paciência. Aprender a se bastar é trilhar sozinho um caminho de incertezas, ser tentado o tempo todo à desistência, recear nossas próprias fraquezas, desejar voltar pelo caminho mais fácil, a tão atraente zona de conforto. Não é à toa que há milênios muitos yogis, santos, monges e até mesmo homens comuns largam suas vidas para passar anos isolados em montanhas e cavernas.

Apesar de o homem ser por natureza sociável, cada um precisa desenvolver previamente suas faculdades interiores para que suas relações sejam efetivamente harmônicas, e não predadoras da malha coesiva da existência. E isso apenas o caminho da solitude pode proporcionar até o dia em que se possa descobrir ser impossível estar sozinho.

Assim que superarmos o medo absurdo da solidão e começarmos a de fato aprender a apreciar quem verdadeiramente somos, honrando nossa jornada individual sem comparações e sem julgamentos, nos daremos por conta de que somos aquela pessoa que sempre procurávamos encontrar; que não precisamos de uma outra metade que nos complete, porque já estamos pleno; que nossa felicidade de modo algum precisa estar atrelada à existência de um objeto ou outra pessoa, mas que esta mesma pessoa sempre será bem-vinda para compartilhar todos os momentos preciosos que a vida for nos reservar.

Liberdade é ter coragem para desvendar esse "si próprio" que tanto anseia por se realizar, sujeito apenas ao que se é, de fato, sem necessidade de afirmações e circunstancias externas para ser. Apenas este ser pode dar a verdadeira liberdade de escolha e autonomia sobre a vida. Descubra-o e desfrute-o.

(Grace Bender)




Iniciação à Visão Elemental

Para dar as boas-vindas a você que aqui aporta, seja por simples curiosidade ou em busca da ampliação de visão, permita-se ser iniciado em um particular universo de expressão, sensibilidade e conhecimento.

A visão, clara e nítida, permite aprimorarmos nossa percepção de mundo. O homem enxerga até a capacidade onde sua visão e sua mente lhe permitem: tudo depende das lentes com as quais se habituou a usar.

E, muitas vezes, racionalmente compreendemos o que isso significa do ponto de vista metafórico, mas de forma muito intelectual. Como então criar a ponte entre a palavra e a experiência? A resposta está na mente (ou lente).

A visão Elemental remonta uma percepção primordial do ser humano, voltada para nossa condição natural harmônica e nossa essência mais sagrada. Aqui, todas as lentes pretendem ser experimentadas, analisadas, modificadas, estimuladas, desconceitualizadas, focadas e desfocadas, com o intuito de romper padrões e hábitos enraizados do complexo corpo/mente que nos limitam enxergar mais além.

Aqui, a mente é a aliada, é a ponte entre o céu e a terra, entre o divino e o homem.

O destino é alcançar o sentido mais profundo e intrínseco de nossa existência e experimentar aquela parte de nós mais intocada.

Esvazie a xícara, penetre o silêncio, zere sua mente, retire por um segundo suas lentes. O que vê?
Você está pronto para enxergar?

Sat Nam!

(Grace Bender)